Ele abriu o restaurante dos sonhos e perdeu a vida que tinha para mantê-lo.

Gustavo queria trocar a rotina de escritório pela gastronomia.
O restaurante conquistou clientes, recebeu reconhecimento e chegou a dar lucro. Mas, quando tudo parecia finalmente funcionar, quase não restava nada para proteger.

O que ele queria construir

Gustavo tinha uma vida que muitos considerariam confortável. Um emprego estável como analista, uma casa, esposa, duas filhas. Nada extraordinário, mas havia segurança. Ao fim do expediente, ele voltava para casa e fazia aquilo de que mais gostava: cozinhar.

Era na cozinha que ele encontrava o entusiasmo que já não sentia no escritório. Colecionava livros de receitas, experimentava técnicas e, durante o expediente, às vezes se distraía desenhando cardápios.
Aos poucos, começou a imaginar um restaurante próprio, com mesas de madeira, comida elaborada e clientes que voltariam pela experiência de comer ali.

O sonho ganhou consistência quando Gustavo participou de um evento gastronômico.
Ele serviu cerca de 400 pessoas, recebeu elogios e viu seus pratos despertarem interesse.

Embora tivesse perdido dinheiro, aquela experiência lhe deu algo que antes não possuía: a sensação de que havia público para sua cozinha.

Quando seu cargo foi extinto, decidiu aproveitar a oportunidade.
Tinha reservas financeiras, o apoio da esposa e a possibilidade de construir uma vida diferente. Ele imaginava os dois trabalhando juntos, conciliando o restaurante com as filhas e, se tudo corresse bem, ganhando o suficiente para comprar uma casa maior.

Um amigo experiente no setor tentou adverti-lo.

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“Tem certeza de que quer fazer isso? Acho que você não sabe no que está se metendo.”

“Você conseguiu. Por que eu não conseguiria?”, respondeu Gustavo.

O mesmo amigo acabou ajudando a viabilizar o projeto, alugando-lhe um imóvel comercial em condições favoráveis.

O lugar estava longe do restaurante que Gustavo imaginava… havia gordura acumulada, instalações comprometidas e sinais de ratos. Mas já existiam equipamentos e uma cozinha profissional.
Com uma reforma, poderia funcionar.

Ele destinou aproximadamente R$ 126 mil de suas reservas ao projeto.

6 semanas depois, quase tudo havia desaparecido.
A cozinha ainda precisava de ajustes, a abertura se aproximava e as despesas não paravam de surgir.

9 semanas após assumir o imóvel, Gustavo tinha o equivalente a R$13,00 na conta.
Devia salários e ainda não havia recebido seu primeiro cliente.

Naquela noite, sentado sozinho no restaurante inacabado, bebeu até perder a consciência.

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