Tudo parecia no lugar

Depois de separar o dinheiro dos funcionários, não sobraria praticamente nada.

Adriana e a sócia estavam no salão fazendo as contas.
Os salários seriam pagos, mas o aluguel continuava atrasado, os cartões também, e o caixa voltaria a zero. Era mais um mês terminando com contas que não cabiam no dinheiro disponível e uma empresa que já vinha exigindo delas muito mais do que conseguia devolver.

Durante cerca de 6 meses, Adriana havia insistido na possibilidade de recuperar o negócio. Os problemas não passaram despercebidos, ela os via, tentava resolver, esperava que o próximo ajuste funcionasse.
Encerrar significava admitir que todo o esforço, o dinheiro investido e o sonho colocado ali talvez não voltassem.

Naquele dia, porém, já não havia força para esticar mais um mês.

Adriana olhou para a sócia e disse:

❝

“Chega. Não dá mais para continuar.”

A decisão foi tomada… sem uma longa discussão.

Mas aquela empresa não tinha começado parecendo um risco absurdo, muito pelo contrário.

Era a primeira vez que Adriana empreendia. Ela tinha 2 filhas pequenas, dinheiro guardado para investir e a vontade de construir algo próprio.
A oportunidade surgiu ao lado de alguém que trabalhava havia mais de 15 anos no ramo da beleza e já tinha um salão que vinha crescendo.

Abrir uma nova unidade parecia a continuação natural de algo que já funcionava.

As funções também estavam claras. Adriana cuidaria da parte financeira e administrativa e a sócia assumiria o operacional, justamente a área que conhecia profundamente.

Adriana não dominava o negócio de salão de beleza, mas confiou que não precisava dominar. Ela conhecia a sua parte e, para aquilo que desconhecia, havia ao lado uma pessoa experiente.

❝

“Eu tinha um sonho, dinheiro para investir e uma pessoa com experiência ao lado.”

Foi essa combinação que lhe deu segurança para entrar.

Só que, quando os primeiros problemas apareceram, a solução nunca parecia estar muito distante. Talvez mais um mês, mais um ajuste, mais uma tentativa de colocar as coisas no lugar.

E assim os meses foram passando.

Até o dia em que o dinheiro dos funcionários foi separado e o que restou não era suficiente para sustentar mais uma rodada de esperança.

O salão fechou… a conta, não.

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