Quando a carteira parecia segura

Quando Luciano Nigro abriu a previsão de caixa da Draco Soluções, viu pela primeira vez o efeito dos últimos meses reunido em um único lugar.
Cerca de 80% do faturamento da empresa tinha desaparecido, e a projeção mostrava com clareza o que os cancelamentos, vistos separadamente, ainda não tinham conseguido mostrar.

Até ali, ele vinha lidando com cada perda sem entrar em pânico.
Os contratos da Draco costumavam ser recorrentes, alguns clientes estavam com ele há anos e a empresa continuava funcionando. Um cliente saía, outro permanecia, e havia sempre a sensação de que a carteira ainda tinha sustentação.

Luciano trabalha com tráfego pago desde 2018. Durante bastante tempo, os novos contratos chegaram principalmente por 2 vias: anúncios e networking. O segundo canal tinha pouco volume, mas uma conversão boa, especialmente em contratos longos, nos quais confiança pesa antes da assinatura.

Esse modelo funcionou por tempo suficiente para se tornar confortável.

Com os contratos ativos e a recorrência funcionando, prospectar deixou de parecer urgente. Quando um cliente saiu, Luciano não interpretou aquilo como um motivo para reorganizar a aquisição. Continuou tocando a empresa e começou também a dedicar mais atenção a outros projetos que queria desenvolver e que talvez pudessem gerar receita no futuro.

Ainda assim, naquele momento parecia haver espaço para tentar.

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