A agência havia chegado a uma fase confortável e invejável.
A carteira estava cheia, o faturamento era muito bom e César finalmente sentia que a empresa tinha encontrado estabilidade. Nas palavras dele, estava “voando”.
Durante muito tempo, prospectar clientes tinha sido uma necessidade óbvia. Ele fazia porque precisava. Só que, quando os contratos se acumularam e a agenda encheu, buscar novos negócios começou a parecer uma tarefa que podia esperar.
Aos poucos foi diminuindo o ritmo, até parar.
E nada aconteceu… pelo menos, não de imediato. Nenhum cliente saiu, nenhuma conta apertou, nenhum sinal apareceu dizendo que aquela decisão cobraria um preço mais adiante. Esse talvez tenha sido o ponto mais perigoso de todos.
É fácil manter uma disciplina quando a falta dela dói na hora; difícil é continuar fazendo aquilo que parece desnecessário justamente porque tudo está funcionando.
Aos poucos, César baixou a guarda.
Foi nesse período que um familiar precisou de dinheiro.
César tinha uma boa reserva de emergência e mesmo nunca tendo emprestado tanto dinheiro, decidiu ajudar.
Pegou o valor que havia acumulado e emprestou… tudo.
Naquele momento, não enxergou grande relação entre as duas decisões. Uma coisa era ter diminuído a prospecção, outra era estar temporariamente sem reserva.
Nenhuma das duas parecia urgente.
Hoje, olhando para trás, ele usa uma palavra mais dura para descrever aquela fase: soberba. Não porque acreditasse conscientemente que nada poderia dar errado, mas porque começou a agir como se o bom momento fosse durar.
Então, em um único mês, três grandes clientes foram embora.
O impacto foi brutal.
O faturamento da Voltiva caiu 70%, e o dinheiro que deveria servir como proteção numa situação como aquela não estava mais disponível.
César resume aquele período com poucas palavras: “Sem reserva, sem nada.” Só que, quando a pancada veio, ele percebeu que o problema era maior do que simplesmente não ter dinheiro guardado.
